Procuro a flor que amei, que tive,
Procuro-a ainda, mas não existe.
Deito-a no chão — ela não resiste.
Penso — mas já não posso — na mulher que amei.
Sou como o campo deserto e estranho,
onde, em silêncio, a flor não renasce.
Tenho o silêncio de quem sabe o dano,
tenho a dor dos que esperam em vão.
O tempo não volta, a flor não volta,
não existe mais. A náusea é minha.
O tempo é uma flor que se perdeu.
A flor e a náusea, o nada e a dor,
sou eu, sou o tempo, sou o que fui,
sou a dor que ficou, a flor que morreu.